JAHU. Terra de Índio

Hoje tive a honra de receber em minha sala, no Museu Municipal de Jahu, Noemi Rodrigues Bof e ser presenteado com o livro que ela e a irmã Aline Rodrigues tiveram publicado com o amparo da Lei Aldir Blanc e do apoio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.

Noemi, a ilustradora, e Aline, a escritora, são multitalentosas, tem a arte no sangue. São filhas do renomado multiartista igaraçuense-jauense, Ricardo Fernandes Rodrigues Fernandes.

O livro de Noemi e Aline remonta à época em que os bandeirantes paulistas, na sua maioria filhos de brancos luso-brasileiros com índias brasílicas (mamelucos), adentravam, como legado da política pombalina do Império Colonial Português (séculos XVIII-XIX), o interior da Capitania de São Paulo para chegarem às minas de ouro de Cuyaba e dos Goyases.

Neste longo percurso, fosse ele por estradas de terra ou pelo Rio Anhemby (Tietê), se depararam com os antigos habitantes do Yahu. Resultados? A carnificina e a aculturação dos índios locais que sobreviveram, os quais então não tiveram sua força de trabalho tão explorada porque os colonos precursores que se assentaram na região do Jahu já possuíam escravos negros para os trabalhos árduos nas lavouras de cana e de café. O resto da história deixo para Noemi e Aline contar com maestria, criatividade e a narrativa feminina independente, crítica, a tempo no século XXI.

Obrigado às autoras. Agora o livro de vocês faz parte do acervo do museu histórico de nossa querida cidade de Jaú, estando a disposição dos que querem conhecer as nossas raízes.

Tour pelo Museu Municipal de Jaú

O Museu Municipal de Jahu, mesmo nesses últimos meses em que nossa cidade, o Brasil e todo o mundo estão subsistindo sob o terrível flagelo da pandemia do Coronavírus, procura atender ao interesse da comunidade jauense em granjear conhecimento, propiciando-lhe a difusão de sua história social, natural e de sua cultura centenária.

Para tanto, segue todos os protocolos sanitários a fim de evitar a disseminação do vírus, recebendo visitas de tão somente um(a) representante por dia, devidamente assepsiado(a) e paramentado(a) com máscara, de qualquer instituição local ou regional de ensino e pesquisa para a filmagem de aulas a serem ministradas virtualmente.

Um exemplo disso, é este recente trabalho realizado conjuntamente com a Escola Porto Alvorada de Jaú. Esta é uma das novas linhas de ação da administração Ivan Cassaro e Tuco Bauab para potencializar o papel de veículo educacional e cultural do Museu Municipal.

Museu de Jahu fecha parceria com o Click Museus

O Museu Municipal de Jahu está muito feliz em comunicar que acaba de fechar parceria com um dos sites de maior destaque no Brasil sobre Museus, o Click Museus, que é um projeto do Coletivo, “Akangatu” que significa memória em Tupi Guarani.

O site Click Museus conta com 70 profissionais de diversos títulos que atuaram e atuam nos aproximadamente 120 museus de São Paulo, e que, aceitaram o desafio de buscar outras perspectivas e trazer novos olhares sobre os museus e seus espaços. Tem a missão aproximar e facilitar a comunicação dos Museus com as pessoas, abordando o patrimônio de forma transversal além de disseminar a ideia de que Museus são espaços de lazer e entretenimento, não apenas de Educação.

Essa parceria é muito importante, pois nos permite um intercâmbio fantástico e nos ajuda no desenvolvimento de atividades com excelência. Além, é claro, de proporcionar grande alcance de público.
https://clickmuseus.com.br/

O Lugar onde a vista escurece: Potunduva

Com muito prazer e alegria, o Museu Municipal de Jahu, através de parceria com a Secretaria de Cultura e Turismo e Secretaria de Educação de Jahu, lança o Primeiro livro sobre a História de Potunduva.

São destacados pontos inéditos sobre as origens do Distrito e também temas atuais, como o Porto Turístico e a influência da migração nordestina que enriquece tanto esse lugar que é símbolo de diversidade e pluralidade!

Outro ponto forte do livro são as ilustrações realizadas pelos alunos do 4º ano do ensino fundamental da Emef Vereador Angelo Ronchesel.

Parabéns a todos os envolvidos e Parabéns à Potunduva pelo primeiro registro oficial de sua tão rica História

Biografia do Aviador João Ribeiro de Barros

Nascido em 04 de Abril de 1900, na cidade de Jaú, João Ribeiro de Barros era filho de Sebastião Ribeiro de Barros e de Margarida de Oliveira Barros. Possuía seis irmãos e fez seus estudos iniciais no Ateneu Jauense, que fora fundado por seu avô, o capitão José Ribeiro de Camargo, e finalizou seus estudos secundários no consagrado Instituto de Ciências e Letras de São Paulo.

João Ribeiro de Barros

Para sua formação superior, Ribeiro de Barros ingressou no curso de Direito da Faculdade do Largo de São Francisco em 1917, mas ele acabaria abandonando a graduação dois anos depois para se dedicar ao estudo da mecânica de aviões nos Estados Unidos. Ele conseguiu obter sua licença internacional, também chamada de brevet em 1923, na França. Aperfeiçoou seus conhecimentos como navegador e piloto nos EUA, e de acrobacias aéreas na Alemanha. João Ribeiro de Barros se torna mundialmente conhecido por seu feito inédito: ser o primeiro aviador das Américas a cruzar o Oceano Atlântico Sul em vôo direto, ou seja, sem escalas. O comandante acreditava que se os aviões não pudessem ter sua própria autonomia, sem ajuda de suporte de navios, eles seriam apenas parasitas da navegação marinha.

Para conseguir isso, João enfrenta diversas provações. Após comprar na Itália um hidroavião modelo Savoia Marchetti SM 55, começa a chamar atenção mundial e desde então, até concretizar seu vôo, luta contra sabotagens, problemas mecânicos e doenças. É desacreditado por muitos, inclusive de seu próprio país. Mas ainda assim ele decide continuar, e nessa decisão, sua mãe, Margarida Ribeiro de Barros, lhe dá grande apoio e incentivo.

A jornada se inicia em 18 de Outubro de 1926, saindo de Gênova com destino ao Brasil. Mas éem 28 de abril de 1927, que às quatro horas da manhã, mil cavalos de força explodem na noite da pequena ilha de Porto Praia e o avião decola sob o comando de um furioso comandante que queria acabar com essa longa viagem. Voando a 190 quilômetros por hora – recorde que seria mantido por 10 anos –, passando em meio a tempestades e fortes ventos oceânicos, o Jahú resistiu por 12 horas consecutivas no caminho que o levaria ao Cruzeiro do Sul. Chegando à costa de Fernando de Noronha, uma de suas hélices se quebra e, mesmo assim, o avião vermelho consegue descer em águas brasileiras. A recepção, nesse momento, foi como de herói.

Mais de cem medalhas e presentes foram ofertados ao comandante e sua equipe composta pelo mecânico Vasco Cinquini, o navegador Newton Braga e o seu segundo piloto, Artur Cunha – mais tarde substituído por João Negrão. Tudo em honra à sua viagem que entraria para a História da aviação brasileira. O fim da jornada seria a represa de Santo Amaro.

O feito realizado pela tripulação do Jahú ainda rendeu várias homenagens internacionais, como: a Ordem do Tosão de Ouro, de Portugal; de São Francisco e São Lourenço, da Itália; Cavalheiro da Legião da Honra, da França e dezenas de outras, além da mais alta honraria da Coroa da Bélgica.

A consagrada Ligue Internationale des Aviateurs, com sede em Paris, deu ao comandante João Ribeiro de Barros, em 1937, sua honraria máxima, o troféu “Harmon”. Na América, seu feito foi pioneiro, sendo seguido depois por Charles Lindbergh que, 23 dias após a chegada do Jahú, fez um vôo solitário pelo Atlântico. Outra homenagem que merece destaque é uma coroa de louros, que está no Museu da Aeronáutica de São Paulo, com as seguintes palavras: “Após Ruy Barbosa – Ribeiro de Barros foi o segundo brasileiro a cingir uma coroa de louros. Escadarias da Faculdade de Direito de Recife. 1927”.

Após se tornar mundialmente famoso pelo feito na aeronáutica, João Ribeiro de Barros tenta, mais uma vez realizar o vôo de travessia do Atlântico, porém, em sentido contrário, deixando o Brasil, rumo à Europa. Contudo, em 1930, momento de Revolução Nacional, onde Getúlio Vargas assume o poder, a nova aeronave de João Ribeiro de Barros é confiscada e o seu plano, frustrado. Triste com isso, resolve deixar o país e viajar pelo mundo. Dois anos mais tarde, explode a Revolução de 1932 no Estado de São Paulo, e o aviador, que nesse momento era uma celebridade, auxilia seus conterrâneos doando todas suas honrarias em ouro para a causa. Mais adiante, em 1936, João entra para a Política e é eleito vereador pela cidade de São Paulo com 1426 votos. Para época foi um grande número, sendo o candidato que mais foi votado e único eleito pelo partido que representava, a Ação Integralista Brasileira. Mas apenas vinte dias depois de assumir seu cargo, João Ribeiro renuncia e se retira para sua fazenda em Jaú, a Irissanga, onde vai ficar até o fim de sua vida, vindo a falecer em 20 de Julho de 1947, ao lado de seu irmão Osório, com 47 anos.